terça-feira, 11 de fevereiro de 2025

Cilada

caio nos braços do passado igual chuva nas calhas das casas onde amor habita pois o passado me envolve como um papel de presente para a surpresa da criança passado alguns anos voltando aos braços do passado percebo que passei tempos longe de mim e longe de mim estão todos os sonhos outrora idealizados pois o passado passa e leva tudo com a força de um furacão e eu emudeço e do meu eu, meu ser, me esqueço e eu enrigesso as cavidades do meu coração tapo cada buraco com anseios seios, dor, sede a sede que mato nos teus lábios e mais uma uma vez me esqueço daquela que queria ser sem você

sexta-feira, 1 de março de 2024

SER

Somos corações imperfeiçoes emoções e tudo que nos veio de berço braços abraços e soluços que cortam o peito virado do avesso alento! é só o que uma pobre alma almeja na peleja da felicidade somos cidade pele, carne saudade

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

16x16

O ano era 2012... Um ano super intenso em minha vida. Milhões de coisas acontecendo ao mesmo tempo. Faculdade, trabalho, dinheiro, AVC, paixão! O tempo passou rápido demais. O tempo passa e a gente esquece.

O ano era 2012. O dia, 16 de setembro. A rede social me lembra onde estava e com quem. Em que momento da minha vida. Uma viajem com a família à Canindé. Um encontro. Um registro. Um momento eternizado de oito anos atrás. Muita vida pela frente. O início da palavra "nós"!

O ano agora é 2020. O dia? 16 de março. Pandemia mundial, isolamento social, incertezas, caos 

O ano ainda é 2020. O dia é hoje: 16 de setembro... A vida normal volta gradativamente. A cura, ainda não veio. Nem pra doença que fez o mundo parar, nem para o meu coração, que bate descompassado procurando um rumo. A continuação da palavra "eu"!

segunda-feira, 31 de agosto de 2020

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Como estamos?

Olá futuro! O mundo ainda está pandêmico. Estou á 78 dias em isolamento social e voluntário. Ainda sem trabalho, sem dinheiro e vivendo de doação. Agora a tarde recebi mais uma cesta básica de alimentos vinda da rede de apoio aos artistas. Sim ainda sou artista! Contraí a famigerada doença causadora desse caos todo, a COVID-19. Não existe cura, vacina, pessoas morrem aos milhares diariamente e o sistema de saúde está saturado. O país está um caos enfrentando conflitos ideológicos, com um asno na presidência. Vulcões adormecidos acordando, ovnis vindo fazer uma visita, céu barulhento. O mundo, em guerra contra o racismo. Muita coisa acontecendo ao mesmo tempo...

E eu, em contínua guerra interior. Ansiedade. Pânico. 

Sabe o vulcão? Ele passa anos adormecido. Ele entra em erupção devido às forças internas da terra, que mantém o magma, em atividade. O movimento de alguma placa tectônica próxima, associada com a alta temperatura do interior da terra, o faz entrar em erupção e explodir, causando catástrofes inimagináveis. Civilizações já foram dizimadas pela força de um vulcão...

Se você for o mínimo inteligente, você jamais ativará ou chegará perto de um vulcão adormecido.

Continuarei em casa. O vírus ainda circula por aí! 

quarta-feira, 1 de abril de 2020

Não, não é mentira!

Mas bem que poderia ser... Quem ouvir falar dos dias atuais no futuro, irá se espantar. Eu me espanto vivendo-os!!! O mundo enfrenta algo pesado no momento, uma epidemia em grande escala. Faz duas semanas que estou em isolamento, a famosa quarentena. Sem liberdade, sem trabalho, sem dinheiro, sem perspectivas futuras... Ser artista já é não ter perspectiva e na atual situação, o que será? Não sei. Não sei mesmo! Queria ter respostas, mas não as tenho.

E junta-se a essa confusão toda, a vida! Questões profundas e ainda presentes nos meus dias. Quando irão se resolver? Não sei. Temo nunca ter como resolver... Quatro anos... e nada! Só ranhuras que nunca se fecham. Cansada. Cansaço. Já falei que o trabalho me salva? Pois perdi essa bóia de sobrevivência por tempo indeterminado. E me afundo novamente em pensamentos antes adormecidos. Mas nada me consome, como antes.

E, nesse caos inteiro, uma luz, um respiro, um alento... Amor... Puro, verdadeiro e forte... Teodora. Chorei hoje quando me pediu para fazer-lhe carinho na cabeça. E agradeci a Deus por sua vida como nunca o fiz antes. Agradeci por esse presente na minha vida. Amor! E eu que sempre achei que sabia o que era amor... Experimente o afago de um filho e depois me diga.

Tudo servirá de aprendizado. O mundo estava doente, as pessoas doentes, até eu, estava doente. E precisou um vírus vir pra fazermos mudar. Ainda estamos no processo, temos muito chão. A caminhada ainda será árdua, mas acredito e anseio por dias de vitória. De todos os lados.


sábado, 20 de julho de 2019

Depois de um bocado de tempo

Depois... "desse tal de depois, depois a gente sabe". Assim falei durante anos essa frase que encerrava um dos espetáculos do meu grupo. E de certa forma, o 'depois' começa a fazer sentido depois de um tempo. Escrever coisas aqui já não faz muito sentido pra mim. Outrora fez. Outrora aliviava meu peito. Mas agora, é uma forma de deixar registrado memórias, de como estou agora, de como fui e pra reler no futuro e observar meu crescimento e mudança.

Faz quase um ano desde a última postagem. Muita coisa mudou. Muita coisa aconteceu. Meus cacos foram juntados e pouco a pouco se colam no lugar. Fiz as pazes com o meu eu interior e exterior e com a vida que levo agora. Caí e levantei quase que diariamente. Voltei atrás de certezas que tinha.  Mergulhei no trabalho tornando-me uma workaholic para fugir das minhas dores. Voltei a sorrir e ter um motivo pra levantar todas as manhãs.

Deitei nos braços daquele que me feriu e me mantive sã. E ainda estendi minhas mãos diversas vezes para ajudá-lo a sair do escuro. O amor ainda não se foi, mas se transformou em algo diferente. Estamos escrevendo, pouco a pouco, um novo capítulo em nossas vidas, nos apoiando, brigando, amando nossa filha, transformando a dor em amizade e companheirismo. Juntos vamos entendendo o mundo e a  nós. Vamos aceitando a vida e o que ela nos oferece. Exercício diário de compreensão.

Tudo passa. O tempo cura. A gente muda. Eu mudei. Amadureci. Estou mais forte do que nunca. E viva. E feliz.

sábado, 11 de agosto de 2018

Tudo

Meses, dias... Quase ano. As horas passam, o tempo também. Tudo corre veloz demais. O que estava fora do lugar, encontrou um novo para estar. O que estava suspenso, se acentou. O que era dúvida, virou certeza. Tudo volta a ser como era antes, mas de uma forma diferente. Leveza, força, atitude. Tá tudo certo!

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Menino


Ah, menino! Como sinto falta de você! Essa semana, depois de meses, me sufoquei com sua ausência. Ausência imposta pela vida que decidimos levar. Ausência imposta pelas escolhas que fizemos. Erradas ou não, mas que certamente nos fazem sofrer até hoje. Ah, que saudades tenho desse menino curioso, entregue nos seus propósitos, cheio de vida, de costumes simples e que amei desde a primeira vez que vi. Seus grandes olhos negros brilhavam e sempre me olhavam com admiração, curiosidade e medo. Eu sempre te acolhi com carinho, mesmo antes de tomar-te em meus braços e bradar ao mundo todo que eras meu. Ah, meu menino, hoje te vejo diferente do que fostes. Carregas um semblante cansado, um olhar reflexivo, ora implorante, ora perdido, corpo pesado pelas dores vividas e um ar de insatisfação e derrota. Tá difícil, né? É ruim ser uma casca ambulante irradiando felicidade, quando o interior é só tristeza, né? Ainda mais pra você, que sempre remoeu tudo sozinho, sem se permitir abertura pra ninguém. Nem imagino como é escolher carregar esse fardo sozinho. Ah, menino, menino! Pena que o tempo não volta. Pena não poder mais ver esse garoto aí, que com pouco, já fazia muito. Pena não teres mais esse jeitinho gaiato de conquistar com palavras dúbias, um risinho tímido, mas cheio de sedução. Te venero, menino. Pena que fostes pra um lugar sem volta, um lugar longe do meu coração.







segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

E aí?


E quando você chega nessa fase?

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Assim

Venha cá
E me abrace
Assim, como da primeira vez
Envolva-me nos teus braços
Respire fundo, junto comigo
Descanse sua cabeça nos meus ombros
Sinta meu corpo tremer
Feche os olhos e sinta meu coração pulsar

Venha cá
E fique aqui comigo
Assim, com pernas entrelaçadas
Suadas e quentes
Vamos ver o eclipse da lua juntos
Respire fundo, junto comigo
Sinta meus dedos nos seus cabelos
Desembaraçando todos os nós

Venha cá
E logo seu cheiro estará em mim
Assim, como ferro quente que marca a pele
Forte, intenso, marcante
Respire fundo, junto comigo
Permitindo que meu cheiro te marque a pele também
Sinta minha pele na sua pele
Levando me contigo aonde fores

Venha cá
E deixe de lado tudo que não nos apetece
Assim, como fora outrora
A vida cheia de vida que tivemos
Respire fundo, junto comigo
Apenas respire
Sinta
Juntos...

Juntos...

Juntos.















243 dias

Oito meses.
Oito meses de trocas, descobertas e amor.
Oito meses acordando com sorrisos.
Oito meses, com nove antes, sem bebidas, tinturas no cabelo, tatuagens, aventuras...
Oito meses vivendo o dia a dia de uma mãe. Mãe de primeira viagem. Mãe solo, sem pai pra ajudar.
Oito meses de amadurecimento dessa mulher aqui, que agora dorme e acorda cedo. Que, mesmo sem gostar, prepara suas quatro refeições diárias. Que deixa a casa sempre limpa e organizada. Que toma três banhos diários junto com você. Que vigia o seu sono e suas brincadeiras. Que corre pra te abraçar ao mínimo choro.
Oito meses que estamos juntas, mas parecem anos.
Oito meses de uma vida inteira que vem pela frente.
 Oito meses e já tens uma personalidade forte e encantadora. Totalmente diferente de mim.
 Oito meses e ocupa toda a cama, rouba todo o lençol e os espaços.
Oito meses que ocupa as vinte e quatro horas do meu dia.
Oito meses em que acordo todo dia com vontade de viver, apesar dos medos e incertezas que me rodeiam.


E sou feliz. E agradeço por ser minha. E já já irei te abraçar e dormir ao seu lado, passando minha mão pelos seus cabelos. É difícil escrever sobre você. É mais que simples palavras. Mas aqui está registrado. Pra mim, pra você e pra quem quiser ver. Te amo, minha pequena.


sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Bolachas com geleia

Morte e vida andam juntas. Amor e ódio também. Aprendi na arte que um completa o outro. Vi na vida que sim, um precisa do outro pra sobreviver. Aprender a odiar para que o amor não lhe mate. A vida é matéria pra arte. Metade de minha vida vivi na arte. Agora, minha vida será arte. Não ipsis litteris, mas será material humano pra minha arte. Humano. Que criação maravilhosa e falha!

"Se ano passado eu não morri, esse ano é que não morro"... Depois de relembrar dores do passado e uma rara crise de enxaqueca, assim penso. Enxaqueca. O nome já soa como algo que não é legal. Embrulho, sudorese, tremor, calor e frio. O mal estar quis sair pela boca, mas teimou em ficar aqui. Tentei administrar o corpo, como sempre fiz com a mente.

Minha pequena estava falante hoje... Também tentei administrar, mas ela é um pequeno ser ainda indomável. Maravilhosa. É por ela que minha arte vive. É por ela que não morri. É por ela que viverei. Estou bem, a enxaqueca passou. Será que me aventuro em uma caneca de chá e bolachas? Devo.  Minha geleia Queens, não ligth, de Morango... Cai muito bem com queijo processado e chá. 

Ano passado não morri... e foi o melhor ano da minha vida. Mas como? Simples... É vida! Quer coisa melhor na vida do que vida? Agora, licença pequeno diário ausente, preciso descansar porque mais tarde, há mais vida pra se viver!


sábado, 20 de janeiro de 2018

Adoração

TTTTTTTTTTTTTTTT
EEEEEEEEEEEEEEE

AAAAAAAAAAAA 
DDDDDDDDDDD
OOOOOOOOOO
RRRRRRRRRR
OOOOOOOO

TTTTTTTT
EEEEEEE
OOOOO
DDDD
OOO
RR
A



Te adoro, Teodora 💕

Reflexo

Hoje foi um dia incrível: pude finalmente me reencontrar no reflexo do espelho. Reencontrei aquela mulher cheia de vida, atitude, forte e decidida que havia perdido à um ano atrás. Me contemplei como nunca havia feito! Estava com saudades de mim.


A gente tem uma mania de subestimar e até duvidar de coisas que são óbvias. Quando estamos passando por algo turbulento em nossas vidas, ficamos cegos e incrédulos, nada é bom o bastante, nada é verdadeiro. A gente sabe que tudo passa, mas é tão difícil de acreditar quando se está no meio do furacão... Mas passa. Quando olho pra trás... Nossa! Ufa! Deixei minhas lágrimas de tristeza com o ano que passou. Hoje, minhas lágrimas são de emoção e amor pela minha filha. Agradeço cada ruga, cada cabelo branco que ganhei nisso tudo e agradeço a lição de vida e amadurecimento. Nossa! Sabe, seguir a vida sem se importar com nada? Pois é! Hoje sim, posso dizer que voltei a ser feliz!


quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Tempo

Tempo, senhor tempo
O senhor é quem diz
Quanto tempo tudo
Durará

Tempo, senhor tempo
Desculpas peço
por duvidar
do seu tempo

Tempo, meu tempo
Chegou o momento
O recomeço

As dores se vão
Ficam as flores
E os risos


quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Café com leite


Ele chegou. Ela ainda dormia o seu cochilo habitual. Ele, vindo da rua, esbaforido, suado, aproveitou esse hiato de tempo e comeu algo. Uma caneca de café com leite quente e uma rosca de goma. Foi o tempo dela acordar. Ele foi ao quarto para vê-la despertar. Silêncio. Ficaram se encarando por uns minutos. Dois pares de olhos negros, de longos cílios, se encontrando e se conectando. Ela espreguiçou, tirando um pouco da preguiça que fica após um cochilo. Esboçou um sorriso tímido para ele, que fazia graça para quebrar o gelo. Agora sentada, ela aos poucos ia se entregando às graças que ele fazia. Uma lágrima de emoção e saudade escorria dos olhos dele. Ela inclinava o minúsculo corpinho em direção a ele, sorrindo e por vezes gargalhando, mostrando interesse naquele ser barbado, assanhado e cheio de amor por ela. Pai e filha, juntos, um defronte ao outro, se curtinho, se reconhecendo nos traços que os une e que a vida teima em afastar. Ele ria e chorava ao mesmo tempo, incrédulo com tamanha entrega, aceitação e beleza. Sim, ela estava linda, radiante e interagia com ele como nunca em seus poucos meses de idade. Conversaram como se fossem velhos amigos. Talvez ele tenha finalmente entendido o que está perdendo ficando longe e da importância dela em sua vida. E ele rindo e chorando ao mesmo tempo.






terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Um dia nosso

Ah! Como é bom encontrar a paz nos teus braços, o conforto em sua companhia e a felicidade no seu sorriso. Você, minha pequena, preenche todas as horas do meu dia com amor. Do acordar mansinho, com a delicadeza da sua voz balbuciando baixinho os sons que futuramente serão palavras... O riso banguela de bom dia, acompanhada por um espreguiçar maroto de um corpinho todo amassado da noite. A companhia doce no café da manhã, fazendo careta com as colheradas de fruta amassada, o vislumbre quando assiste o desenho na tv, à festa no primeiro banho do dia. Manhosa, chorominga pedindo peito para embalar a soneca da manhã. O dia se torna noite no nosso ninho e adormecemos, juntas.

O dia continua, agora com colheradas da papinha gostosa que eu faço com todo esmero pra você. Cada colherada, um sorriso. Ah, como amo você! Mais um banho, agora juntinhas, pulando debaixo da chuveirada fria. Te abraço forte, para que o calor do meu corpo diminua o choque da água por vezes gelada. Canto, danço... você sorri. Te cubro de beijos, aproveitando o frescor da sua pele molhada. Como você é linda, minha menina! E entre uma soneca e outra, cuido de mim, cuido do nosso cantinho. Lavo, passo, arrumo, limpo... Mas sempre me permito tirar um cochilo ao seu lado, sem hora pra acordar, como se o mundo lá fora não existisse.

A noite chega e sempre escapamos pra casa da vovó, onde vejo o amor que sinto por você sendo compartilhado por outros braços. Todos amam você e você retribui sempre com um sorriso ou uma carinha marota. Não é de chorar, não é de estranhar ninguém. Me admiro com tamanha entrega! Quando o cansaço bate, a gente volta correndo pro nosso lar. Me pego cantando e dançando debaixo do chuveiro mais uma vez, explodindo a última gota de energia que me resta. E nos entregamos ao sofá, abraçadas até o sono chegar. Perco o filme, perco o último capítulo da novela, mas não perco esse momento lindo que é te colocar pra dormir. Você cola em mim, me agarra e mama até adormecer... Nossa, como te amo! E a cada afago que dou em seus cabelos, te amo mais e mais. Perco por vezes o fôlego de tanto amor!

Nunca meus dias foram tão lindos, nunca havia sentido um amor como esse, nunca a minha vida foi tão linda... Cuidar de você é incrível. Ser mãe está sendo incrível! Existe a dificuldade, o cansaço e às vezes, a solidão, mas nada como um sorriso seu pra curar tudo isso. Cuidar de você é fácil, meu bebê. São momentos nossos... somos duas, mas também somos uma só. Somos amor, muito amor. Obrigada por me amar intensamente.

Um dia, poderá ler isso. Te amo. Mamãe.











sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

E quando alguém se vai...

... a gente abre mais uma vez o livro da reflexão. Uma pessoa linda se foi hoje, prematuramente. Era cheia de vida. Vida... ainda tenho uma inteira pra viver. E por diversas vezes desejei acabar com ela. Aí você se depara com a morte de alguém de uma forma tão inesperada, dolorosa e lenta. É cruel, mas a vida nem sempre tem o cuidado de nos poupar. O que resta é agradecer todos os dias, pelo bom e pelo ruim que ela nos dá e seguir, tropeçando, caindo, levantando, mas sempre seguindo. E sigo. Estou aqui. Estou bem. Lúcida. Ainda buscando algo. Um dia encontro.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Vinte minutos

Finalmente estendo roupas lavadas horas atrás, quando o sol ainda esquentava o quengo... Um cheiro bom de café fresco vem com o vento! Fome de comer algo que não está pronto. Poderia fazer, mas tempo não teria em me dedicar a tal ato, tampouco de saborear sossegada o prato quente. Nem tempo de comer um bem-casado me resta. Comecei a devorar um pacote de Samanta, biscoitinhos crocantes com açúcar, mas deixei o pacote pela metade. Ainda penso no prato quente. Sacos e sacos de lixo amontoados a dias esperando serem colocados na rua! Preciso fazer isso hoje. Amanhã é dia de lixo! Lixo... é onde tenho vontade de jogar todas as minhas roupas que foram lavadas e agora estendidas. Perdi o último capítulo da novela. Ela está sôfrega com a chegada dos dentes e não me deixou sair do seu lado. Colou seus pequenos e macios lábios nos meus seios e usou-os até cair no sono. Ela é prioridade na minha vida, o último capítulo da novela que acompanhei durante meses, não. Queria morrer de amor nos braços de alguém. Sexo seria bom, com homem ou com mulher. Queria me acabar em um prato de macarronada quente. Estou sozinha. Estou cansada psicologicamente. Não há resposta, não há contato, não há interesse, nada! O cheiro do lixo entulhado me incomoda. As muriçocas também. Vendo mais um amigo ficar famoso na tv. Tenho vinte minutos apenas até o próximo choro.